segunda-feira, 24 de março de 2014

Siberiana Cap.1 - O Caçador

Introdução: Essa história se passa na época de Caça às Bruxas, onde até mesmo feiticeiras que não tinham nada a ver com a maldade e com a magia negra foram punidas.


Eu estava com muito medo de ser pega. A época de Caça às Bruxas estava em seu auge e muitas de minhas irmãs haviam sido mortas injustamente, pelo fato de que algumas daquelas que nasciam com magia no sangue usavam tal magia para coisas ruins e não pra salvar humanos e colaborar com a paz. Essas que faziam tal coisas eram chamadas de bruxas e nos que usávamos nossa magia para o bem eramos chamadas de feiticeiras, porém de uma época pra cá isso não haviam mais sentido.
Eu continuava a fazer as minhas coisas todos os dias, porém com muito cuidado. Eu morava em uma fazenda não muito longe de uma vila pacata onde todos pensavam que eu tinha um pai e uma mãe com uma doença incurável e contagiosa e "graças a uma benção de Deus" eu havia sido libertada de transportar ou pegar o vírus da doença. Então por causa disso ninguém ia ate minha fazenda.
Mas mesmo com essa desculpa os homens da vila não me deixavam em paz e viviam duelando para poder tentar me impressionar e casar-se comigo. Mais eu não queria me casar, isso é coisa de humanas e eu era uma feiticeira.
Eu estava andando pela fazenda quando eu avistei um rastro de sangue, eu o segui e acabei encontrando um humano quase morto encostado em uma árvore não muito longe dele havia cinzas. Eram cinzas de uma bruxa, aquele homem era um caçador e havia matado uma bruxa. Mesmo que ele era caçador ele era humano e uma feiticeira sempre ajudava um humano. Com facilidade levei ele para minha casa.
Ao chegar em casa escondi todas as coisas que podiam me condenar com uma feiticeira e conjurei dois corpos de barro e os coloquei em uma cama de casal em um quarto isolado para dizer que aqueles eram meus pais. Levei o homem para um cômodo vazio onde coloquei ele confortavelmente e comecei a curá-lo.
Rasguei sua camisa e eu pude ver o ferimento, o pulmão esquerdo havia sido atravessado por uma espada com magia negra e além devia ter perdido muito sangue a magia negra possuía seu corpo. Eu reconheci aquela maldição, era a maldição do corpo amaldiçoado onde o humano morria 24h após receber tal ferimento. Se ele não morresse do ferimento especifico morria da maldição.
Eu conjurei o feitiço reverso e consegui que seu corpo fosse salvo de tal magia negra, em seguida comecei a conjurar o feitiço que fechasse o ferimento em seu pulmão, duas horas depois ele já não corria mais risco de morte.
A noite foi cansativa pelo fato de que a febre dele estava muito alta e ele berrava de dor, a magia negra havia machucado mais do que eu pensava então eu fui obrigada a purificar seu corpo. Assim que amanheceu ele estava totalmente curado.
Ele acordaria dali algumas horas, então aproveitei para dormir, eu estava exausta.
Eu acordei quando a porta do meu quarto se abriu, era o homem que eu havia salvado, meus olhos encontraram os deles e eu me perdi naquele brilho azul exuberante.
Não haviam palavras para descrever quão belo ele era, a pele pálida ornava perfeitamente com os olhos azuis mais claro que o céu quase no tom de cinza e com aqueles cachos castanho-avermelhado, seus lábios eram de um cor-de-rosa natural e seu físico era extremamente bem definido, porém eu só percebi isso quando o vi ali, em pé e sem camisa.
- Quem é você? - perguntou ele, sua voz era extremamente calma e monótona dando a impressão de que ele tinha muita paciência.
- Eu me chamo Kaylee Willians - não era completamente verdade, Kaylee Willians era meu nome humano, meu nome de verdade era Siberiana - e o seu?
- Jay McGuiness. - respondeu ele - foi a senhorita que cuidou de mim por todo esse tempo?
-Si-sim, - respondi, todo esse tempo? Eu havia cuidado dele apenas um dia! - o my lord sabe por quanto tempo esta ferido?
- Pelo que pude ver em seu calendário, estou ferido a vinte dias. - eu tive um choque completo, como ele podia ter sobrevivido dezenove dias em tais condições? Ele havia sido amaldiçoado e perdera muito sangue, como conseguira ficar vivo com uma maldição que mata em um dia e um ferimento de tanta gravidade por dezenove dias? Era um mistério e tanto e aquilo também me intrigava.
- isso e bom - menti - mais como o my lord se feriu de tal jeito? - perguntei levantando-me da cama e saindo do quarto juntamente com o Jay.
- Eu sou um caçador de bruxas my lady - respondeu ele - eu estava enfrentando uma bruxa e eu a segui ate essa fazenda, ela matou meu cavalo e em seguida passou uma espada por meu peito depois eu consegui atear fogo nela e ela queimou. - respondeu ele - mais como a my lady me encontrou?
- eu segui um rastro de sangue por minha fazenda e achei seu corpo quase morto em uma árvore. - respondi. - estou muito surpresa por estar vivo.
- eu também my lady. - ele perguntou. - mais porque uma senhorita nova como você colocou um homem mais velho dentro de casa sem seus pais, as pessoas podem julgá-la mal por isso mesmo que nada aconteça. Isso pode prejudicar para que você nunca ache um noivo. - disse ele.
- Eu tenho pais, porem estão muito doentes. E eu não contei a ninguém que o my lord esta aqui então não poderão falar daquilo que não veem. - eu me dirigi para a cozinha e comecei a fazer algo para comer. Ele me acompanhou e sentou-se em uma cadeira e voltou a falar.
- entendi my lady. A senhorita poderia deixar que eu passe algumas noites aqui ate eu ter certeza de que eu estou recuperado? Não posso voltar a caçada sem ter certeza de que eu estou pronto. - pediu ele e em seguida prometeu - e eu lhe prometo que não vou tentar nada contra você e que ninguém vai descobrir da minha estadia aqui, pois não quero que a honra de uma jovem tão bela seja manchada.
- Eu não pretendia mesmo deixar o my lord ir antes de ter certeza de que está em perfeitas condições de voltar a essa guerra, então pode ficar aqui o tempo que achar necessário. Eu irei arrumar um quarto de hóspede para o my lord. - disse lhe entregando um prato com uma boa comida e uma garrafa de conhaque.
- Obrigado senhorita. - ele me devolveu a garrafa - perdoe-me mais eu não bebo.
Eu o deixei comendo e sai da cozinha. Totalmente intrigada com aquele homem...

Por Nina Carvalho



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